Os Sertões

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Gado morto por vaqueiros poderosos que vitimizam gados humanos vivos – todos vítimas. Foto: Valdecy Alves

Os sertões desta terra ficaram sempre funestos nas cenas horrendas que Euclides da Cunha imortalizou em páginas de um colorido ultradantesco.

— Rui Barbosa, Excursão Eleitoral, Discurso no Banquete Oferecido à Comissão Popular de Festejos, 18 jan. 1910, Obra Completa, Volume XXXVII, tomo I

Ninguém lê, ninguém escreve, ninguém pensa

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Estamos num período de estéreis e exclusivas preocupações políticas. Só se lêem — verdadeiramente — os entrelinhados do ‘Jornal’, onde se desenha com maior fidelidade, neste momento histórico, a fisionomia real de nossa gente. Ninguém lê, ninguém escreve, ninguém pensa. A mofina literatura nacional traduz-se, naturalmente, numa vasta poliantéia, a 100 réis por linhas, de mofinas. De todo absorvidos no presente, às voltas com seus interessículos, estes homens, tão descuidados do futuro, ainda menos curam do passado (…). Entretanto, quero crer que ainda haverá meia dúzia de espíritos capazes do esforço heroico de um rompimento com tanta frivolidade. E entre eles me alinharei.

— Euclides da Cunha em carta a Oliveira Lima, Rio de Janeiro, 28 de junho de 1909