triste lição

cadáveres na ruínas de Canudos
Cadáveres nas ruínas de Canudos, Bahia, 1897. Foto: Flávio de Barros (Acervo Museu da República)

Quando porém, entre nós, no último barranco esboroado, rolar o último adversário, nós que não temos dedicações pessoais no governo, como se insinua deslealmente, que vemos nos homens do poder símbolos abstratos da realidade, dos princípios que adotamos, nós não teremos o triunfo, mas uma triste lição acerca de todos os perigos, capaz de produzir a indisciplina dos sentimentos e das ideias.

— Euclides da Cunha, Crônica, Dia a Dia, O Estado de S. Paulo, 6 abr. 1892

mulheres

Flávio de Barros, “Mulheres e crianças, prisioneiras da guerra”
“Mulheres e crianças, prisioneiras da guerra”, Canudos, Bahia, 1897. Foto: Flávio de Barros

Mulheres aprisionadas na ocasião em que os maridos caíam mortos na refrega e a prole espavorida desaparecia na fuga, aqui têm chegado — numa transição brusca do lar mais ou menos feliz para uma praça de guerra, perdendo tudo numa hora — e não lhes diviso no olhar o mais leve espanto e em algumas mesmo o rosto bronzeado de linhas firmes e iluminado por um olhar de altivez estranha e quase ameaçadora.

— Euclides da Cunha, Canudos: diário de uma expedição, XXVI, 26 de setembro de 1897