Citação

Ninguém lê, ninguém escreve, ninguém pensa

burro

Estamos num período de estéreis e exclusivas preocupações políticas. Só se lêem — verdadeiramente — os entrelinhados do ‘Jornal’, onde se desenha com maior fidelidade, neste momento histórico, a fisionomia real de nossa gente. Ninguém lê, ninguém escreve, ninguém pensa. A mofina literatura nacional traduz-se, naturalmente, numa vasta poliantéia, a 100 réis por linhas, de mofinas. De todo absorvidos no presente, às voltas com seus interessículos, estes homens, tão descuidados do futuro, ainda menos curam do passado (…). Entretanto, quero crer que ainda haverá meia dúzia de espíritos capazes do esforço heroico de um rompimento com tanta frivolidade. E entre eles me alinharei.

— Euclides da Cunha em carta a Oliveira Lima, Rio de Janeiro, 28 de junho de 1909

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Amazônia

Vista aérea da Amazônia

Fotografia aérea de uma pequena parte da Amazônia brasileira próxima à Manaus, Amazonas. Foto: Neil Palmer/CIAT

Sem este objetivo firme e permanente [de conhecer o interior inóspito] (…), a Amazônia, mais cedo ou mais tarde, se destacará do Brasil, naturalmente e irresistivelmente, como se despega um mundo de uma nebulosa — pela expansão centrífuga do seu próprio movimento.

— Euclides da Cunha, Contrastes e confrontos, Entre o Madeira e o Javari

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mulheres

Flávio de Barros, “Mulheres e crianças, prisioneiras da guerra”

“Mulheres e crianças, prisioneiras da guerra”, Canudos, Bahia, 1897. Foto: Flávio de Barros

Mulheres aprisionadas na ocasião em que os maridos caíam mortos na refrega e a prole espavorida desaparecia na fuga, aqui têm chegado — numa transição brusca do lar mais ou menos feliz para uma praça de guerra, perdendo tudo numa hora — e não lhes diviso no olhar o mais leve espanto e em algumas mesmo o rosto bronzeado de linhas firmes e iluminado por um olhar de altivez estranha e quase ameaçadora.

— Euclides da Cunha, Canudos: diário de uma expedição, XXVI, 26 de setembro de 1897